escolinha de arte 1986

Tudo começou quando fui fazer o curso de Magistério, numa última opção. Eu queria área de Humanas. No meu colégio tinha a divisão das turmas em Biológicas -Exatas – e… Magistério.

Então, através do olhar apaixonado e apaixonante da minha mais maravilhosa professora e diretora da escola, exímia educadora, me encantei pela causa da Educação.

Tive a sorte como primeiro trabalho de estagiária, ter sido professora na Escolinha de Artes do CTA, uma escola de vanguarda que eu não tinha a menor idéia teórica do que significava, mas fez todo o sentido na minha vida. Lá eu mesma aprendi a fazer artes, sujeiras, aprendi que era criativa! Lá não se ensinava nada, porém aprendia-se tudo!!

Na faculdade de Psicologia farejava onde encontrar uma continuidade para essa descoberta, sempre ligada nos assuntos de Educação, conheci o trabalho da Pedagogia Freinet, Waldorf, Madalena Freire, Rubem Alves, Carl Rogers…

E assim idéias subversivas tomaram conta de mim. Meus filhos só frequentariam escolas alternativas!!

Enfim, não foi bem assim que aconteceu… A primeira escola foi a mais perto de casa e que cabia no orçamento. Era bonitinha, bem arrumadinha, professoras muito afetuosas, mas não podia arrastar a cadeirinha para não riscar o chão com a borracha, pastas com trabalhinho mimeografados, uniforme limpo no fim do dia, aquelas fotografias que eu tenho de quando eu era criança…- qual o emoticon para cara de beliscão no estômago ??

Em seguida, de tanto falar na orelha do marido, consegui pegar os últimos 2 anos e meio da escola de Pedagogia Freinet. MARAVILHOSA !! Sonho realizado com sucesso, só sairiam de lá na 8° série! Mas o despertador tocou e acordei bruscamente quando a diretora anunciou a venda da escola para pessoas que nem sequer eram da Educação. Motivo: os pais queriam mais trabalhinhos, sentiam-se inseguros quanto ao futuro acadêmico dos filhos pois eles brincavam!!! Suspiro profundo!

A lição inesquecível foi que mesmo eu confiando de corpo e alma, uma vez perguntei à dona da escola como a criança que frequentou essa escola ía se adaptar no mundo de uma escola tradicional, ou mesmo no mundo profissional… a resposta que carrego em meu coração é  – Um ex-aluno de escola Freinet entra numa sala qualquer e vai saber encontrar o interruptor de luz onde quer que esteja instalado. Eles aprendem a ser independentes.

E então o sonho começou a acabar. Fomos para uma escola construtivista. Boas instalações, bons professores formatados no modelo, mesmo sorriso, mesmas frases… Quando a gente leva um método muito á sério, o feitiço vira contra o feiticeiro. O anti-enlatador enlata de outro jeito. O peso do comércio começou aumentar, a filosofia se congelou em frases …

A Alice aqui ouviu o despertador de novo e… fomos para uma escola bem tradicional, onde a filosofia pelo menos estava e acredito que ainda está bem viva por trás de qualquer metodologia que vem e vai.

E isso era o que contava, e o que conta pra mim, poder ver com um fio condutor de confiança. Podemos mudar de trajeto a todo momento, mas a bússola tem que estar funcionando.

E esta foi a última escola que escolhi para meus filhos.

A escola seguinte foi escolhida por eles que já estavam na idade e capacitados a encontrar o interruptor de luz sob qualquer condição, pela educação que cultivamos principalmente em casa. E melhor, com apoio total do pai deles. A era da maternagem havia acabado.

Vejo agora que educar é cuidar de uma estrutura de valores que a gente cultiva como centrais e básicos, passar isso mais com exemplos do que com palavras, oferecer aos nossos filhos espaços e grupos heterogêneos, com valores diferentes dos que cultivamos para fermentar o discernimento neles, proteger sempre daquilo que eles não estão prontos ainda, ser mãe leoa e mãe pássaro que joga do ninho para bater asas.

A minha história me levou em termos de educação e religião a dar em casa o que não encontrei na sociedade. Hoje sei que somos- mãe e pai, referência para nossos filhos que não foram formatados por escola nenhuma.
sheilaSheila Zambrini Santos – esposa do Fábio, quem me possibilitou ser mãe da Aline e do Felipe. Amo estar em casa, cuidar desses 3 seres divinos e estender essas bençãos além lar através das Constelações Familiares que é meu principal trabalho.

autora do blog www.saudedaalma.com

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