Não é à toa que Ilhabela tenha esse nome, a ilha é bonita demais mesmo. Linda e recheada de opções, para todos os gostos. É praia que não acaba mais. Além de cachoeiras, trilhas e uma estrutura de turismo completa que proporciona uma gama de possibilidades para o visitante.

Dá pra rodar de jipe ou de buggy, velejar, surfar, pescar, conhecer os museus com peças dos naufrágios. Dá pra passear de escuna (e outros tipos de embarcações), mergulhar ou alugar bicicletas e pedalar pela orla. Impossível ir embora sem pensar no que se deixou pra trás por fazer numa próxima vez. Ilhabela vale a pena.

Eu e minha família demoramos muito tempo para criarmos coragem de ir até lá, sempre pensando no trajeto, principalmente na balsa, e nos famigerados borrachudos. Postergamos o quanto pudemos até decidirmos que não dava mais pra ir aos mesmos lugares sempre e, para nossa surpresa, foi tudo incrivelmente mais tranquilo do que temíamos. Escolhendo bem o dia de ir, o horário de pegar a balsa (que dá inclusive para reservar) e levando muito repelente dá pra curtir muito, e sem estresse.

Fizemos nossa viagem com o objetivo de descobrir o mais interessante (e possível) a se fazer por lá com crianças sem, no entanto, nos prender aos programas tradicionalmente indicados aos adultos com pequenos. Como por lá há muitas opções, decidimos focar nas praias e voltar em breve para descobrir o melhor em cachoeiras e roteiro histórico. Fomos a locais que provavelmente não conheceríamos se seguíssemos à risca as indicações dos guias tradicionais e aqui você encontrará dicas de como aproveitar esses locais sem contratempos.

Conhecemos sete praias (quatro ao Sul da Ilha e três ao Norte), fizemos um passeio de escuna e um passeio de jipe que nos levaram a mais três praias, passeamos no centro histórico e alugamos bicicletas para pedalar pela orla. Fizemos tudo isso em cinco dias porque estávamos de férias, queríamos aproveitar o máximo possível e isso se encaixa no nosso ritmo, mas é legal também montar roteiros menores para finais de semana ou mesmo para férias. Cada família tem ou deve encontrar seu jeito ideal de viajar. Esperamos que essas dicas possam ajudá-lo a aproveitar sua viagem.

Praias do Sul (Curral, Julião, Feiticeira, Pedras Miúdas)

Curral: Essa praia é indicada normalmente pelos guias tradicionais a todos os turistas que chegam a Ilhabela porque é provalmente a praia com melhor estrutura para receber o turista. Tem quiosques, parquinho, banana boat, sanitários, sombra. No entanto, é uma praia bem comercial, que está sempre cheia de visitantes, é uma praia pra quem curte agito. O mar não é calmo, então, tem que ficar de olho nas crianças o tempo todo e é imprescindível tomar banho de repelente porque há borrachudos demais.

Julião: Praia pequenina, linda, de águas calmas em meio a pedras. É possível ver peixinhos e até tartarugas com as crianças. Há um quiosque que funciona mais nos finais de semana e muito borrachudo! Não deixe de conhecer.

Feiticeira: Praia deliciosa. Mar calmo, águas claras, linda. A praia não tem estrutura para receber o turista, além de uma excelente barraca (da Zélia) que fica montada quase todos os dias. Não deixe de experimentar os sucos que o “Riva” prepara no liquidificar movido à manivela. As crianças vão adorar brincar nos jatinhos de água que ele (o “Riva”) inventou com furinhos numa mangueira que tras água direto da cachoeira. Não há sanitários nesta praia, mas eu não deixaria de conhecê-la, foi uma das praias de que mais gostamos. Há pouca sombra, então, é bom chegar cedo. E não vimos por lá nenhum borrachudo.

Pedras Miúdas (Ilha das Cabras): Bem bonita, de águas calmas, rasa, onde é possível ver peixinhos. As crianças ficam com snorkels à vontade. A praia tem quiosque, sanitários, mas é bem cheia. Tem bastante borrachudo!!!

 

Praias do Norte (Armação, do Pinto, Do Sino)

Armação: É a praia dos velejadores, então, venta bastante. Limpíssima, de águas claras, bem bonita. Tem sombra e um bar com sanitários que funciona aos finais de semana. Por meio dela se acessa a pé a praia do Pinto, vale ir e conhecer as duas. Nem sinal de borrachudos.

Pinto: Lin-da. Limpa, rasinha, cheia de gaivotas. Sem estrutura além de uma barraca que funciona nos finais de semana. Sem sanitários. Tem bastante sombra e nenhum borrachudo. Vale muito a pena conhecer. É possível acessá-la a pé pela praia da Armação ou ir direto pela estrada.

Sino: Bonita, rasa, limpa, gostosa com crianças. Não há sombra, então, vá cedinho e aproveite a manhã ou vá no final de tarde (ou leve guarda-sol, gazebo). Tem um restaurante. Não vimos borrachudos.

 

As praias que consideramos imperdíveis são Julião, Feiticeira e Pinto.

Dica: pra não passar aperto onde não tem estrutura, programe-se para passar pouco tempo e ir em seguida a outra praia que tenha sombra, comida, sanitários. Ex: vá à praia da Armação, acesse a pé a praia do Pinto e depois volte à praia da Armação (com bar). Ou vá à praia do Pinto e depois à praia do Sino. Vá ao Julião ou Feiticeira e depois à Pedras Miúdas.

Passeio de Jipe até a praia de Castelhanos

Os jipes saem rumo à praia de Castelhanos por volta das dez da manhã. As empresas que prestam o serviço ficam na praia do Perequê e algumas buscam o turista onde ele estiver hospedado. O trajeto é de mais ou menos uma hora e meia em estrada de terra dentro do Parque Estadual e não é aconselhável ir de carro de passeio, especialmente com crianças, pois pode ser muito trabalhoso (e caro) conseguir sair da estrada com carro quebrado. Vale pagar pelo serviço do jipeiro e aproveitar para observar a mata. Ao longo do trajeto há inúmeras belas quedas d´água e pode-se avistar borboletas, macacos, cobras e vários tipos de pássaros. Peça ao jipeiro para tirar a capota do jipe quando o veículo entrar no Parque Estadual, por conta da mata o Sol não castiga e aí dá pra enxergar melhor as belezas do caminho. O jipe na terra balança e “solavanca” bastante, então, acho que não é mesmo aconselhável ir com bebês muito pequeninos. Meu filho foi com dois anos e oito meses, curtiu bastante na primeira metade do trajeto e dormiu profundamente na segunda.

A praia fica do lado selvagem da ilha, o lado voltado para o mar aberto e, por ser de difícil acesso, sua beleza segue preservada. Há locais rasos na praia onde é possível as crianças brincarem e dá também para papais e mamães surfistas pegarem onda. Há restaurante, sanitários limpos e muito, mas muito borrachudo! O passeio de jipe inclui a ida até a Cachoeira do Gato, próxima à praia por uma triha e é imprescindível ir de tênis para fazer a caminhada, mas só vai quem quer. Nós não fomos desta vez porque estava ameaçando chover e ficamos com medo de ser surpreendidos por uma tempestade com filho no canguru. Almoçamos e o pequeno dormiu tranquilo na areia por umas duas horas. No restaurante há um chuveiro quente, então, dá pra dar um banhinho esperto nas crianças antes de fazer o caminho de volta.

Não esqueça de levar um agasalho leve para a volta pois pegamos chuva e as crianças podem ficar com frio no jipe que, mesmo com capota, acaba deixando todo mundo meio desprotegido de chuva e vento.Por volta das quatro horas da tarde o jipe retorna fazendo uma parada na entrada do Parque Estadual de onde é possível fazer uma trilha tranquila até uma cachoeira que também não conhecemos porque estava chovendo. Várias dicas, não? A principal delas é: NÃO ESQUEÇA O REPELENTE, PASSE REPELENTE O TEMPO TODO. OS BORRACHUDOS DE LÁ SÃO SELVAGENS! Ah! E aproveite!

Passeio de Escuna (costa, Praia da Fome e Jabaquara)

A escuna sai as onze da manhã do pier na praia do Perequê, mas é necessário reservar o passeio em uma das empresas que prestam o serviço. São poucas opções de embarcações que prestam o serviço e não dá muito pra escolher. Achei os barcos bem pequenos e numa próxima vez procuraria escolher o maior de todos por um simples e único motivo: comparativamente a outros locais onde fiz passeio de escuna, achei que em Ilhabela o mar balança demais o barco, demais MESMO. Na ida o pequeno dormiu e eu me lembrei dos primeiros meses de gravidez, ENJOO, MUITO ENJOO. Me sentia num barco, MESMO.

Tinha um monte de bebês na embarcação, nenhum enjoou. Nenhum teve crise de choro de irritação, todos dormiram em algum momento do passeio. A escuna segue pela costa Norte inteira da ilha,então, dá pra ver muitas praias, é lindo, vemos vários tons de verde e azul ao longo do caminho. Passamos muito perto dos navios de turismo que estavam atracados na ilha e de navios petroleiros, as crianças (e a gente também) amam ver aqueles trecos imensos em cima da água.

A primeira parada no extremo Norte da ilha é a praia da Fome, linda de morrer, de águas calmas, de um verde que parece de filme e… cheia de borrachudos (claro!). Vale o enjoo da ida. Depois a escuna vai até a praia do Jabaquara, que é lindíssima. Almoçamos lá e brincamos com o pequeno num laguinho de água doce que tem no centro da praia. A parada não é muito longa e passa rápido demais quando se almoça. Mas a praia do Jabaquara é de fácil acesso com carro e acabamos achando que vale a pena talvez visitá-la outras vezes sem fazer o passeio de escuna.

Descobrimos que da praia do Jabaquara sai também um barquinho que leva até a Praia da Fome, então, pra quem passa muito mal em barco, dá pra conhecer as duas praias sem fazer o passeio de escuna, mas salientamos que aí se perde a vista da costa que é maravilhosa e também não se chega tão perto dos navios… A escuna chega de volta ao pier por volta das cinco da tarde.

Passeio de bicicleta

Demais! Aluga-se bikes por hora ou por dia. Alugamos bicicletas com cadeirinha para criança e pedalamos uma hora pela orla, o pequeno adorou e nós… Resolvemos comprar bicicletas! Dica: Dá pra alugar bicicleta dupla (só vimos na hora que fomos devolver nossas bikes) e leve capacetes ( ou vá disposto a comprar lá) pois as empresas não fornecem equipamentos de segurança.

Centro histórico (Vila)
Delícia! Nos hospedamos pertinho pra poder ir a pé passear por lá. Concentra casarões coloniais que são herança dos portugueses e que hoje abrigam restaurantes, lojas de artesanato, antiquários. Passeamos por lá todas as noites. Há restaurantes, pizzarias, sorveterias, creperias, cafés e cervejarias. O centro histórico funciona mais ou menos em função dos navios que atracam em Ilhabela ( especialmente em dias de semana) , então, procure se informar sobre os horários em que o comércio estará de portas abertas para não se irritar com as portas fechadas. Há lojinhas ótimas.

Você já esteve em Ilhabela? O que você fez na Ilha? Deixe aqui suas dicas para ajudar outros a se aventurarem por lá com os pequenos! Não foi ainda? Vá lá, aproveite e volte aqui pra contar como foi!

Para saber mais:

http://www.ilhabela.com.br/ilhabela/subpagina.php?idcategoria=18&tipo=1

http://guiadolitoral.uol.com.br/especial_de_ferias-1265_2006.html

O trabalho Ilhabela com crianças (Roteiro Praias) de Elba Oliveira foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

Este texto possui uma licença Creative Commons BY-NC-SA 3.0. Você pode copiar e redistribuir este texto na rede. Porém, pedimos que o nome da autora e o link para o post original sejam informados claramente. Disseminar informação na internet também significa informar a seus leitores quem a produziu. 

Elba Oliveira é mãe do Rafael e do Joaquim, nas horas vagas trabalha com o que gosta: Coaching, Maternagem e Empreendedorismo. Gosta do novo, do feito, da força e da brisa que sente no pico mais alto de cada montanha. Leva os bacuris onde vai.

Elba Oliveira

4 Comentários

  • Responder
    Flavia Catherino Lemma
    27 de maio de 2013

    Olá, boa tarde!
    Estou pra Ilhabela com minha filha que tem 2 anos.. vc tem alguma dica de acomodação (hotel). Obrigada!

    • Responder
      Elba Oliveira
      28 de maio de 2013

      Ola Flavia,
      Obrigada pela visita. Quando fui pra lá fiquei em uma que não recomendo, mas já recebi algumas recomendações da Pousada dos Hibiscos.
      Espero que dê certo. Volta aqui pra deixar dica se gostar de lá ou se for pra outra que recomendaria.
      Elba

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