Escrevi recentemente sobre o que faz de uma pessoa uma visita bem-vinda quando nasce um bebê… Em suma, boca aberta só para elogios e estímulos, excelente humor, disponibilidade para ajudar a puérpera no que ela estiver precisando e, entre outras coisinhas, bastante semancol com horários.

Acontece minha gente que tem quem se supere na arte de fazer uma mulher que acabou de parir FELIZ. Desta vez eu tive uns anjos.  Gente que até sem dar as caras, me fez sentir a última bolacha do pacote mesmo depois de o caminhão ter passado e repassado por cima. O povo se superou. E me MATOU de rir e chorar.

A seguir, a história dos três presentes que salvaram meu humor no pós parto.

orquidea menorPresente 1: A orquídea que meu marido NÃO me deu

No dia seguinte ao parto, meu marido chegou na maternidade cedinho  carregando uma LINDA orquídea. Entrou todo pomposo no quarto puxando um filho por uma mão e exibindo o vaso bonito na outra.  Meus olhos brilharam, abri um sorrisão. “Ele me trouxe uma orquídea”, pensei.

Or-quí-de-a! Lembro que dias antes do nascimento, quando eu estava arrumando a casa pela milésima vez para parir, fui comprar flores e não tive coragem de me dar uma… É caro, né?

Ao ver meu rosto se iluminar pensando nos mais de dez anos vivendo dentro da mesma casa, ele me respondeu (como quem quer dizer NÃO SE EMPOLGA VAI!):

- É presente da Valéria (a nossa diarista)!

Pausa para a gargalhada desconcertante. Eu ri, eu ri muito.

Meu mundo poderia ter caído, mas eu ri. Ri pensando nele atravessando o hospital carregando aquele vaso, decerto causando dor de cotovelo e remorso em vários maridos no caminho. Ri de mim pela minha falta de coragem de me comprar uma orquídea e ri pensando no quanto sou querida pela diarista, aquela que foi a única a me dar flores pelo nascimento do meu filho. Em verdade, se fosse ele mesmo a me trazer a orquídea, não teria sido tão grande a surpresa.

No fundo, deveria fazer mais sentido. Ela, a diarista, é, depois do marido e dos filhos, a pessoa que mais convive comigo há uns dez anos (mais ou menos o tempo de casada) . Ela viu a gente comprar o primeiro apartamento. Viu a gente ficar grávido todas as vezes. Limpou a sujeira de várias reformas, ajudou a fazer mudança. Viu a gente rir e chorar, mais rir que chorar graças a Deus. Esteve sempre ali, junto, guardada a estúpida distância dos que não se dão orquídeas. É engraçado de tão estranho.

Tão estranho como não esperar orquídeas dos maridos.  Ou tão estúpido quanto esperar.

Ainda olho a orquídea e dou risada, vou rir pra sempre.

Presente 2: Bolo pra dar leite

Presente 3: Tias boas vão para o céu

 

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Elba Oliveira é mãe do Rafael e do Joaquim, nas horas vagas trabalha com o que gosta: Coaching, Maternagem e Empreendedorismo. Gosta do novo, do feito, da força e da brisa que sente no pico mais alto de cada montanha. Leva os bacuris onde vai.

Elba Oliveira

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