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Tenho meia dúzia de amigas com medo de parir. Sempre tenho.

Algumas que convenço, outras que vão embora para sempre depois de um breve papinho sobre parto.

Depois de muito perder amizades, e eu realmente não gosto quando isso acontece, andei decidida a não mais discutir. Acontece que…

Acontece que elas são minhas amigas. E via de regra, queremos o melhor para nossos amigos, não é?

Bom, depois de muito pensar, decidi agora que não dou conta mesmo de vê-las indo para uma mesa de cirurgia como se estivessem indo à manicure. Nem de vê-las entregando seus partos ao acaso, especialmente quando o acaso leva o nome de um Dr. qualquer mais preocupado com dinheiro do que com qualquer outra coisa.

Pois bem.

Decidi botar logo os bofes pra fora e lançar a merda no ventilador. Se  é para perder amigas, que elas saibam o que estão perdendo além de mim. Sei que muitas vão embora com mais facilidade ainda depois desse texto, mas sei que tantas outras se chegarão mais pra perto e terão histórias lindas de parto para contar.  Assim, este texto é para as minhas amigas.

As que vão embora, e as que vão parir.

 

Medo é medo. Eu que já tive vários e ainda tenho alguns tantos, não julgo.

Mas questiono.

Questionar talvez seja o primeiro passo para superar um medo. Para ter coragem de deixá-lo para trás. Ou para assumi-lo com tudo que isso tem de significado e consequência.

Aí eu te pergunto…

Amiga,

Por que é que hoje em dia há tanto medo de parir e tanta coragem para se meter, sem indicação e sem maiores questionamentos, numa cirurgia do porte de uma cesariana?

Se um médico nos diz que temos pedra no rim e que temos que operar amanhã, vamos atrás de uma segunda opinião. Se nos diz que é melhor fazermos uma cesariana, acatamos.

Por que?

Faz o seguinte, não me responda.

Se você tem medo de parir, pesquise.

De uma espiadela em riscos e benefícios. A internet é vasta e os dados encorajam. Primeiro passo, você e seu bebê merecem. (comece por esse post AQUI)

Em linhas gerais, parto normal:

- recuperação mais rápida;

-menos risco de necessidade de uti para mãe e bebê;

- menos risco de morte para mãe e bebê;

- menos risco de o bebê desenvolver inúmeras doenças ao longo da vida;

- e vínculo.

Para falar só das principais vantagens.

A cesariana, quando não tem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.” (ver fonte)

É pouco?

Vamos em frente.

Digitalizar0006Olhe, então, para todas as mulheres das gerações anteriores à sua. Talvez não sua mãe e tias, mas suas avós e bisavós e tataravós e milimiliavós. Pergunte sobre como foram os partos delas, escute as histórias.

Minha avó materna, por exemplo, pariu 6.  A paterna não sei dizer quantos, já que foram 12 filhos. Bem, não devem ter sido 12 cesarianas, não é?

Como elas conseguiam?

Os partos da minha avó materna eu conheço de cor, um por um. Escutei, a pedido meu, a história de cada um deles, de sua própria boca, várias vezes ao longo da minha segunda gestação. O que me fez ter um respeito absurdo por ela. Ela me contava e me dizia pra ir ter meu bebê por cesariana (todos os  partos dela foram violentos ).  Até que, na última semana, antes do meu bebê nascer…

“neta, você é muito corajosa e forte por fazer essa escolha”

(E minha avó é uma pessoa de poucos elogios, sabe?)

“não vó, corajosa foi você”

NUNCA vou esquecer e jamais vou deixar de honrar. Ela só queria me proteger do que ela passou, mas quando viu que nada me demoveria do meu intento, tratou de reconhecer o sangue nos meus olhos e o quanto conseguir trazer meu filho ao mundo, por parto natural, era importante pra mim. Esse reconhecimento foi como um bálsamo. Me encheu de mais coragem para enfrentar.

Alguns dias depois, ela se ofereceu para cuidar do meu filho na minha casa para que eu pudesse parir em paz. Logo, estava me perguntando, aos risos e na maior naturalidade, se eu queria que ela cortasse o cordão umbilical com a sua tesoura de costura esquentada na boca do fogão.

Escutar isso da boca da minha avó, fez com que eu me sentisse um pouco como ela, como as velhas matriarcas. Fez com que eu me sentisse uma DELAS. E ELAS não desistiam de seus partos. Aguentei 3 dias de trabalho de parto. Por cada um dos partos que minha avó suportou. Era o mínimo que eu podia fazer.

E aí, eu te pergunto…

Onde diabos foi parar a força das mulheres da nossa geração? Onde?

Não me responda. Permita-se escutar as histórias.

Absorva cada uma.

Se ponha no lugar.

E quando estiver lá, no lugar da sua avó, pergunte-se…

O que este lugar me traz? Medo? Orgulho? Força? Coragem?

O que fizeram para nos fazer acreditar que não somos mais capazes de botar nossos bebês no mundo?

Por que elas conseguiam e nós não?

O que aconteceu no intervalo entre o período reprodutivo da sua avó e o seu?

Mudamos? Involuímos? Ficamos com defeito? Viramos borra-botas?

Que história da carochinha foi essa que nos contaram, e na qual estamos também escolhendo acreditar, de que não sabemos mais parir?

Apenas questione.

E sim, claro,  há casos para hospital. Sim, há casos para cesarianas.  E sim, há histórias tenebrosas de parto.

Mas não é para evitar essas histórias que estão aí as mesas de cirurgia para os casos em que elas são realmente necessárias?

É o risco ou a força que não queremos?

O que é que pega?

O medo é de que?

Talvez seja a dor.

TP Elba-169 menorA DOR.

Falemos, então, da dor.

É a dor que não queremos?

Olha, papo sério. Conversa de quem passou três dias sentindo DOR. A dor de parir um filho é absolutamente suportável na maior parte do tempo, desde que sejam respeitadas as necessidades da mulher durante o trabalho de parto.

Comer, beber, movimentar-se, adotar as posições que achar necessárias para alívio e tals.

Não é a dor da morte, não parece que você vai se rasgar ao meio. Não é a dor de todos os ossos do seu corpo se quebrando ao mesmo tempo.

Pare de dar ouvido a tolices.

Não. Simplesmente, não.

Dói, dói sim, mas todo mundo, sem contar as borra-botas, aguenta.

Mia, mas aguenta. Urra, mas aguenta.

E você, VOCÊ, não é uma borra-botas, correto?

E olha, pra falar a verdade, eu curti a dor.

Acredita que a graça é a dor?

A graça é conseguir apesar da dor.

No pain, no gain, sabe?

Aquela coisa de que o ganho é proporcional ao esforço, manja?

No mais, que partinho mais ou menos deve ser esse sem dor, hein?

Não me vejo. Desculpe.

Nota: enquanto me preparava para meu parto, sempre pensava: caramba! minha avó fez isso 6 vezes! não é possível que eu não suporte uma! eu seria uma borra-botas! e graças a Deus eu não fui.

Brincadeiras à parte, falemos dessa tal dor.

A minha avó fala que é “a dor do gato”. E olha, a “dor do gato” da minha avó dói, viu? DÓI. A dor do parto de que falam por aí dói mesmo. É a dor do parto violento. Cheio de intervenções e sem respeito à mulher. Com ocitocina sintética pra apressar, maus tratos e humilhações, manobras e aparatos desnecessários. O parto das novelas da Globo, sabe?

E esse dói mesmo. Tranforma até o Super Man em borra-botas.  E desse tipo de parto e de dor é mesmo preciso correr. Às léguas.

Claro que entendo a “borra-botice”. Não disse que não ia julgar?

Falta informação. É um oceano de desinformação na verdade.

Acontece que não é preciso parir dessa forma dolorosa e sofrida. Não é pra ser assim, não tem que ser assim e tem uma galera parindo sem nada disso. Existem profissionais que oferecem melhores opções e quem determina se o parto deve ser desta forma ou não é VOCÊ.

VOCÊ diz ao profissional como quer seu parto e pode querê-lo, inclusive, sem dor.

Por exemplo, a anestesia no parto é um direito da mulher. Sabia? Você pode tranquilamente optar por ela.

Embora o mais bacana seja não decidir por anestesiar-se antes de experimentar a dor do parto. Primeiro é bom ver se não rola mesmo aguentar. Se der pra sentir tudo, apesar da dor, porque não? É mais saudável.

E cá pra nós, de amiga pra amiga: É muito mais gostoso!

Quer dizer que vale a pena? Quer dizer que é bom?

Sim, é ótimo.

Tive um prazer incomensurável com a passagem do bebê. A ponto de ficar p da vida porque a médica apressou a saída puxando o meu filho.

Eu queria que demoraaaaaaaaaaaaaaaaaasse.

Como assim, é gostoso?

É.

Mas tem que ver pra crer, né? Eu sei.

Mas olha…

Escute os relatos.

Não conheço nenhuma mulher que depois de parir, natural e respeitosamente um filho, não quisesse ter pelo menos mais dez experiências de parto.  Eu mesma fico fazendo contas pra ver se não dá mesmo pra ter mais 3 ou 4 filhos. É IM-PER-DÍ-VEL. Te juro gata.

Não queira não sentir, não viver.

Não sem saber como realmente é.

É jogar no lixo, muito provavelmente, um dos momentos mais incríveis que você poderá viver em toda a sua vida. Parir é  fo-dás-ti-co. Paga pra ver. Vai lá e volta aqui me contar!

É conhecer seu limite, e o que vem depois dele.

É enfrentar cada um dos seus demônios, e dar fim em pelo menos meia dúzia.

É sentir toda a força da vida no seu próprio corpo, e terminar por acordar a própria.

É merecer seu bebê, recebê-lo de você mesma e tornar-se forte o bastante para criá-lo.

É olhar cara a cara nos olhos da gratidão…

E aí eu te pergunto…

Será isso o que você não quer?

 

Dedico este texto, especialmente, à minha amiga Juliana. Que, com medo de parir (e com razões para isso), informou-se e decidiu-se pelo parto fisiológico do seu bebê. Juliana, logo depois de decidir-se pelo parto natural, descobriu que seu bebê tinha uma síndrome e não viveria. Ela gestou o bebê e o pariu mesmo assim, ao saber que isso seria o melhor para sua saúde, para suas futuras gestações e para os seus futuros  bebês.  Um dia talvez a Ju, minha amiga, venha aqui contar sua história. Por hora, saibam que Juliana não tem mais medo de parir, Juliana tem certeza de ter feito o melhor por si mesma. E eu, morro de orgulho dela e invejo a sua força.

FORÇA pra todas nós. É o que desejo.

Mais FORÇA, menos medo.

E ah! O texto é também dedicado à  minha avó, claro.

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Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Não Adaptada.

Este texto possui uma licença Creative Commons BY-NC-SA 3.0. Você pode copiar e redistribuir este texto na rede. Porém, pedimos que o nome da autora e o link para o post original sejam informados claramente. Disseminar informação na internet também significa informar a seus leitores quem a produziu.

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Elba Oliveira é mãe do Rafael e do Joaquim, nas horas vagas trabalha com o que gosta: Coaching, Maternagem e Empreendedorismo. Gosta do novo, do feito, da força e da brisa que sente no pico mais alto de cada montanha. Leva os bacuris onde vai.

Elba Oliveira

Comentários

comentários

45 Comentários

  • Responder
    Carolina Darcie
    29 de novembro de 2014

    Elba
    Não sabia esta história da sua avó no seu parto.
    Eu não sei do parto das minhas avós, somos meio distantes. Porém, meu marido foi criado por uma avó que pariu 13 filhos em casa.
    Quando engravidei das minhas filhas, não sabia que eu tinha que pensar em parto. Eu ouvia ela contando, um a um suas histórias de parto incríveis, que envolviam matar porcos já em trabalho de parto e fazer linguiças pra pagar a parteira!
    Ela lembrava um a um, quem estava lá, o peso dos filhos, como nasceram. E ela tem hoje 83 anos, uma memória absurda dos partos em detalhes. Eu pensava: tá vendo, parir é fisiológico. É óbvio que vou parir.
    Minha mãe tem histórias muito horíveis de partos (anos 80): violência obstétrica gravíssima, rompimento de útero, cesárea eletiva em seguida e ligamento de trompas aos 26 anos. Ela, apesar da sua história ruim, jamais jogou pra mim a experiência que teve.
    Acabei, na primeira gravidez, vivendo exatamente a mesma história da minha mãe no hospital: violência, imperícia, técnicas arcaicas e centradas no médico (apesar da sua boa vontade de GO boazinha).
    Me dei conta, então, que parir como nossa bisa não era mais possível sem luta.
    Então, lutei, no mesmo ano que você, parar ter respeito ao meu parto fisiológico.
    Sabe, eu acho que a gente visualiza e sente um parto na nossa cabeça também, antes dele começar. E, quando finalmente fui parir minha filha em casa, fiquei sozinha vivendo o pré-parto, sem chamar ninguém. Me sentindo tranquila, muito forte, e feliz.
    Chamei as parteiras e Teresa veio em duas horas de parto. Dor, claro. Uma dor forte…muito forte…que mal durou uma hora.
    Eu não havia pensado na posição do parto, não havia plano de parto algum escrito.
    Só que, dentro da minha cabeça, ele era um parto como antigamente.
    Ele era o parto da bisa.
    Seus 13 partos, meu parto era como eles haviam sido.
    O biso já morreu há muitos anos, não o conheci. Porém, na hora de maior dor, em que levantei e decidi fazer força pra menina nascer, a única pessoa que me vinha na cabeça, era ele.
    Se ele e sua esposa conseguiam, pariram juntos 13 filhos, de cócoras, no chão de casa, eu tinha em mim esta mesma força ancestral, e é óbvio que conseguiria.
    Levantei, me pude cócoras, pensei nos dois velhinhos e falei pra mim em voz alta: É agora, Teresa, vem! Duas forças de bicho e ela escorregou no chão, 4 kg de bebê gordo e saudável, berrando, direto pro meu colo.
    Eu era a força ancestral de todas as mulheres que já pariram antes de mim.
    Assim que acabou, a primeira coisa que pensei foi: a bisa vai ficar orgulhosa.
    Teresa foi a primeira bisneta dela a nascer em casa, 40 anos depois do último filho dela nascer no interior do Paraná nas mãos de uma parteira.
    Na época ela tinha 17 bisnetos: 2 de parto normal (as minhas), e 15 de cesareana.

  • Responder
    29 de novembro de 2014

    Elba
    Não sabia esta história da sua avó no seu parto.
    Eu não sei do parto das minhas avós, somos meio distantes. Porém, meu marido foi criado por uma avó que pariu 13 filhos em casa.
    Quando engravidei das minhas filhas, não sabia que eu tinha que pensar em parto. Eu ouvia ela contando, um a um suas histórias de parto incríveis, que envolviam matar porcos já em trabalho de parto e fazer linguiças pra pagar a parteira!
    Ela lembrava um a um, quem estava lá, o peso dos filhos, como nasceram. E ela tem hoje 83 anos, uma memória absurda dos partos em detalhes. Eu pensava: tá vendo, parir é fisiológico. É óbvio que vou parir.
    Minha mãe tem histórias muito horíveis de partos (anos 80): violência obstétrica gravíssima, rompimento de útero, cesárea eletiva em seguida e ligamento de trompas aos 26 anos. Ela, apesar da sua história ruim, jamais jogou pra mim a experiência que teve.
    Acabei, na primeira gravidez, vivendo exatamente a mesma história da minha mãe no hospital: violência, imperícia, técnicas arcaicas e centradas no médico (apesar da sua boa vontade de GO boazinha).
    Me dei conta, então, que parir como nossa bisa não era mais possível sem luta.
    Então, lutei, no mesmo ano que você, parar ter respeito ao meu parto fisiológico.
    Sabe, eu acho que a gente visualiza e sente um parto na nossa cabeça também, antes dele começar. E, quando finalmente fui parir minha filha em casa, fiquei sozinha vivendo o pré-parto, sem chamar ninguém. Me sentindo tranquila, muito forte, e feliz.
    Chamei as parteiras e Teresa veio em duas horas de parto. Dor, claro. Uma dor forte…muito forte…que mal durou uma hora.
    Eu não havia pensado na posição do parto, não havia plano de parto algum escrito.
    Só que, dentro da minha cabeça, ele era um parto como antigamente.
    Ele era o parto da bisa.
    Seus 13 partos, meu parto era como eles haviam sido.
    O biso já morreu há muitos anos, não o conheci. Porém, na hora de maior dor, em que levantei e decidi fazer força pra menina nascer, a única pessoa que me vinha na cabeça, era ele.
    Se ele e sua esposa conseguiam, pariram juntos 13 filhos, de cócoras, no chão de casa, eu tinha em mim esta mesma força ancestral, e é óbvio que conseguiria.
    Levantei, me pude cócoras, pensei nos dois velhinhos e falei pra mim em voz alta: É agora, Teresa, vem! Duas forças de bicho e ela escorregou no chão, 4 kg de bebê gordo e saudável, berrando, direto pro meu colo.
    Eu era a força ancestral de todas as mulheres que já pariram antes de mim.
    Assim que acabou, a primeira coisa que pensei foi: a bisa vai ficar orgulhosa.
    Teresa foi a primeira bisneta dela a nascer em casa, 40 anos depois do último filho dela nascer no interior do Paraná nas mãos de uma parteira.
    Na época ela tinha 17 bisnetos: 2 de parto normal (as minhas), e 15 de cesareana.

  • Responder
    29 de novembro de 2014

    Elba
    Não sabia esta história da sua avó no seu parto.
    Eu não sei do parto das minhas avós, somos meio distantes. Porém, meu marido foi criado por uma avó que pariu 13 filhos em casa.
    Quando engravidei das minhas filhas, não sabia que eu tinha que pensar em parto. Eu ouvia ela contando, um a um suas histórias de parto incríveis, que envolviam matar porcos já em trabalho de parto e fazer linguiças pra pagar a parteira!
    Ela lembrava um a um, quem estava lá, o peso dos filhos, como nasceram. E ela tem hoje 83 anos, uma memória absurda dos partos em detalhes. Eu pensava: tá vendo, parir é fisiológico. É óbvio que vou parir.
    Minha mãe tem histórias muito horíveis de partos (anos 80): violência obstétrica gravíssima, rompimento de útero, cesárea eletiva em seguida e ligamento de trompas aos 26 anos. Ela, apesar da sua história ruim, jamais jogou pra mim a experiência que teve.
    Acabei, na primeira gravidez, vivendo exatamente a mesma história da minha mãe no hospital: violência, imperícia, técnicas arcaicas e centradas no médico (apesar da sua boa vontade de GO boazinha).
    Me dei conta, então, que parir como nossa bisa não era mais possível sem luta.
    Então, lutei, no mesmo ano que você, parar ter respeito ao meu parto fisiológico.
    Sabe, eu acho que a gente visualiza e sente um parto na nossa cabeça também, antes dele começar. E, quando finalmente fui parir minha filha em casa, fiquei sozinha vivendo o pré-parto, sem chamar ninguém. Me sentindo tranquila, muito forte, e feliz.
    Chamei as parteiras e Teresa veio em duas horas de parto. Dor, claro. Uma dor forte…muito forte…que mal durou uma hora.
    Eu não havia pensado na posição do parto, não havia plano de parto algum escrito.
    Só que, dentro da minha cabeça, ele era um parto como antigamente.
    Ele era o parto da bisa.
    Seus 13 partos, meu parto era como eles haviam sido.
    O biso já morreu há muitos anos, não o conheci. Porém, na hora de maior dor, em que levantei e decidi fazer força pra menina nascer, a única pessoa que me vinha na cabeça, era ele.
    Se ele e sua esposa conseguiam, pariram juntos 13 filhos, de cócoras, no chão de casa, eu tinha em mim esta mesma força ancestral, e é óbvio que conseguiria.
    Levantei, me pude cócoras, pensei nos dois velhinhos e falei pra mim em voz alta: É agora, Teresa, vem! Duas forças de bicho e ela escorregou no chão, 4 kg de bebê gordo e saudável, berrando, direto pro meu colo.
    Eu era a força ancestral de todas as mulheres que já pariram antes de mim.
    Assim que acabou, a primeira coisa que pensei foi: a bisa vai ficar orgulhosa.
    Teresa foi a primeira bisneta dela a nascer em casa, 40 anos depois do último filho dela nascer no interior do Paraná nas mãos de uma parteira.
    Na época ela tinha 17 bisnetos: 2 de parto normal (as minhas), e 15 de cesareana.

  • Responder
    29 de novembro de 2014

    Elba
    Não sabia esta história da sua avó no seu parto.
    Eu não sei do parto das minhas avós, somos meio distantes. Porém, meu marido foi criado por uma avó que pariu 13 filhos em casa.
    Quando engravidei das minhas filhas, não sabia que eu tinha que pensar em parto. Eu ouvia ela contando, um a um suas histórias de parto incríveis, que envolviam matar porcos já em trabalho de parto e fazer linguiças pra pagar a parteira!
    Ela lembrava um a um, quem estava lá, o peso dos filhos, como nasceram. E ela tem hoje 83 anos, uma memória absurda dos partos em detalhes. Eu pensava: tá vendo, parir é fisiológico. É óbvio que vou parir.
    Minha mãe tem histórias muito horíveis de partos (anos 80): violência obstétrica gravíssima, rompimento de útero, cesárea eletiva em seguida e ligamento de trompas aos 26 anos. Ela, apesar da sua história ruim, jamais jogou pra mim a experiência que teve.
    Acabei, na primeira gravidez, vivendo exatamente a mesma história da minha mãe no hospital: violência, imperícia, técnicas arcaicas e centradas no médico (apesar da sua boa vontade de GO boazinha).
    Me dei conta, então, que parir como nossa bisa não era mais possível sem luta.
    Então, lutei, no mesmo ano que você, parar ter respeito ao meu parto fisiológico.
    Sabe, eu acho que a gente visualiza e sente um parto na nossa cabeça também, antes dele começar. E, quando finalmente fui parir minha filha em casa, fiquei sozinha vivendo o pré-parto, sem chamar ninguém. Me sentindo tranquila, muito forte, e feliz.
    Chamei as parteiras e Teresa veio em duas horas de parto. Dor, claro. Uma dor forte…muito forte…que mal durou uma hora.
    Eu não havia pensado na posição do parto, não havia plano de parto algum escrito.
    Só que, dentro da minha cabeça, ele era um parto como antigamente.
    Ele era o parto da bisa.
    Seus 13 partos, meu parto era como eles haviam sido.
    O biso já morreu há muitos anos, não o conheci. Porém, na hora de maior dor, em que levantei e decidi fazer força pra menina nascer, a única pessoa que me vinha na cabeça, era ele.
    Se ele e sua esposa conseguiam, pariram juntos 13 filhos, de cócoras, no chão de casa, eu tinha em mim esta mesma força ancestral, e é óbvio que conseguiria.
    Levantei, me pude cócoras, pensei nos dois velhinhos e falei pra mim em voz alta: É agora, Teresa, vem! Duas forças de bicho e ela escorregou no chão, 4 kg de bebê gordo e saudável, berrando, direto pro meu colo.
    Eu era a força ancestral de todas as mulheres que já pariram antes de mim.
    Assim que acabou, a primeira coisa que pensei foi: a bisa vai ficar orgulhosa.
    Teresa foi a primeira bisneta dela a nascer em casa, 40 anos depois do último filho dela nascer no interior do Paraná nas mãos de uma parteira.
    Na época ela tinha 17 bisnetos: 2 de parto normal (as minhas), e 15 de cesareana.

  • Responder
    Rejane Boschmann Reimche Nogueira
    29 de novembro de 2014

    Lindo texto!!!!!! Concordo plenamente, toda a mulher deveria passar por um parto normal para saber que é um ser humano super forte, muito mais forte que qualquer homem!!!! Amei a sua frase: "É jogar no lixo, muito provavelmente, um dos momentos mais incríveis que você poderá viver em toda a sua vida." É super verdade!!!

  • Responder
    Rafaela Bastos
    29 de novembro de 2014

    Caiu até uma lágrima aqui.

  • Responder
    Marcela Babini
    29 de novembro de 2014

    ***-***
    "Não conheço nenhuma mulher que depois de parir, natural e respeitosamente um filho, não quisesse ter pelo menos mais dez experiências de parto. Eu mesma fico fazendo contas pra ver se não dá mesmo pra ter mais 3 ou 4 filhos. É IM-PER-DÍ-VEL. Te juro gata.
    Não queira não sentir, não viver.
    Não sem saber como realmente é.
    É jogar no lixo, muito provavelmente, um dos momentos mais incríveis que você poderá viver em toda a sua vida. Parir é fo-dás-ti-co. (…)
    É conhecer seu limite, e o que vem depois dele.
    É enfrentar cada um dos seus demônios, e dar fim em pelo menos meia dúzia.
    É sentir toda a força da vida no seu próprio corpo, e terminar por acordar a própria."

    Texto incrível. Incrível.

  • Responder
    Liziane
    29 de novembro de 2014

    Correu uma lagrima….. Tenhi um filho e foi de cesaria dita pelo medico ser de urgencia…. Quase morri literalmente no pos parto…. Hj sonho com um parto normal…. Mas na minha cidade eh quase impossivel um parto humanizado, e em tds os ginecos q ja fui descartam essa possibilidade por causa das minhas doencas(fibromialgia e lupus) mas ainda sonho com mais 2 filhotes…. Mas de parto normal ……

  • Responder
    Paula
    30 de novembro de 2014

    Lindo seu texto. Mas adoraria saber o que você diria para alguém que viveu o que eu vivi. Meu primeiro filho nasceu de uma cesarea desnecessária, mas eu nem imaginava a complexidade da cirurgia e os perigos para meu filho. Só ouvia coisas horríveis sobre o parto normal. Ano passado engravidei novamente e através de uma amiga ouvi falar sobre parto humanizado. Um parto onde pelo que li respeitava mãe e bebê, um momento que te faria se sentir mais forte, mais mulher. Fui atrás de tudo isso, li, fui em locais com palestras sobre humanização, comprei livros sobre o assunto e assisti 3 vezes o renascimento do parto. Tirei dinheiro de onde não tinha para pagar uma médica dita humanizada e esperei pelo grande momento. Mas e cadê que esse momento chegava? A médica disse que só esperaria até 41 semanas e 5 dias e assim foi. Fiz tudo o que pude pra dizer pro meu corpo que estava na hora da minha pequena nascer: caminhei, namorei, fiz acupuntura, tomei chás de mil e uma coisas, mas nada aconteceu. Então, com 41 semanas e 6 dias entrei na maternidade para começar a indução do parto. Como já havia uma cesaria e o colo do útero estava completamente fechado a médica me levou ao centro cirúrgico para fazer o procedimento de colocar um balão no colo do meu útero para que ele mecanicamente abrisse. O procedimento segundo ela era tranquilo. Pra mim nada daquilo foi tranquilo, doeu muito, muito mesmo, deixei marcas bem fortes de unha na mão do meu marido. Fiquei umas 10 horas com aquele negócio no meio das minhas pernas e a cada nova tracionada no balão cólicas horríveis eu sentia. Quando o tal balão finalmente saiu a médica veio me fazer segundo ela um “exame de toque”, eu que estava feliz com a saída do balão vivi novamente uma dor horrível e interminável, o tal exame de toque não tinha fim, e me pedia para relaxar enquanto eu me contorcia de dor. Quando acabou virou pra gente feliz e falou “agora consegui remover todas as membranas”. Não esperava viver aquela dor horrível novamente, aquilo acabou com o resto de força que eu tinha. Após isso começaria de fato a indução com o hormônio. As enfermeiras vieram me colocar o soro, mas me picaram em 2 lugares diferentes e não conseguiram, somente na terceira deu certo, porém numa parte bem ruim do braço, na verdade, acho que elas não conseguiram pegar direito nem aquela veia, pois ficou extremamente dolorido no local. Depois de um dia inteiro com um balão, onde não consegui descansar nada ia ficar a noite inteira com um soro no braço. A indicação era pra que eu não dormisse e sim fosse caminhar pelo hospital, mas estava cansada e meu marido falou que deveríamos descansar um pouco para depois tentar caminhar. Eu tentei dormir mas não consegui, o braço doía e as vezes achava que ainda estava com aquele treco no meio das minhas pernas. As 4 da manhã desisti de tentar descansar e também desisti de continuar com tudo aquilo. Me sentia desesperada com tudo aquilo, não conseguia suportar a idéia de ter alguém fazendo outro exame de toque em mim. Então resolvi mandar uma mensagem para médica dizendo que não queria mais continuar, que queria uma cesarea. Ela não me ligou, apenas me mandou uma mensagem perguntando se eu tinha certeza, que eu sabia dos riscos de uma cesarea e que eu não seria mais protagonista do meu parto. Eu respondi que ainda assim preferia a cirurgia. Após isso só senti um enorme desprezo da tal médica “humanizada”, me disse que ia verificar a disponibilidade do centro cirúrgico e me avisaria, mas já me avisou que como não se tratava de algo urgente que não desmarcaria suas pacientes para fazer uma cesarea eletiva. Fiquei esperando até as 22h para enfim ter minha filha nos meus braços. A médica mal falou comigo quando a encontrei no centro cirúrgico. Acho que nunca me senti tão mal em toda a minha vida. O momento que era pra ser de pura alegria pra mim era um atestado do meu fracasso. Minha filha graças a Deus nasceu muito bem. Como também pagamos por um pediatra humanizado, pude ficar o tempo todo com a minha pequena, ela não passou por aqueles procedimentos tradicionais das maternidades. A médica me pediu para voltar ao consultório dela dali 10 dias, mas isso já faz 4 meses e não pretendo vê-la nunca mais.
    Depois de algum tempo me vem as perguntas:
    Se mesmo com quase 42 semanas de gestação meu colo estava completamente fechado, não havia a possibilidade desta conta estar errada e eu não estar de fato com 42 semanas?
    Se eu tive que ir a um centro cirúrgico para colocar o tal balão, por que não poderiam me dar uma leve anestesia para colocar o tal troço no meu colo?
    Se quando o balão saiu meu colo já estava dilatado, era mesmo necessário passar por mais toda aquela dor para remover as tais membranas?
    Onde estava a tal humanização naquela médica que nem se deu ao trabalho de me ligar, pra tentar entender o que eu estava sentindo e me ajudar?
    Esse processo que vivi foi realmente algo humanizado?
    Como digerir tudo isso que vivi, se toda a vez que leio um relato tão lindo de parto tudo vem a tona e me sinto revoltada e decepcionada?
    Eu sou uma borra-botas?

    Desculpe o imenso desabafo!

    • Responder
      Gláucia
      2 de dezembro de 2014

      Oi, Paula. Não tenho filhos ainda, mas me solidarizo com a tua história e a tua decisão. Estou em tratamento para engravidar e já há anos pesquiso muito sobre os métodos de parto. Ouvi relatos da minha família inteira, minha mãe pariu a mim e a mais quatro irmãos, todos de parto normal, tendo histórias terríveis, incluindo mortes de bebês e perda da mobilidade das pernas por erros ou complicações na hora do parto. Tudo porque simplesmente não se cogitava a cesárea: cesárea era fraqueza. Ora, 2014? POR FAVOR! Chamar uma mulher que decide, seja por qual motivo for, pela cesárea, de borra-botas (e depois soprar com um “compreendo a borra-botice”, numa complacência superior, indulgente, que me dá até enjoo) é, no mínimo, ignorante e arcaico. Tu passastes por coisas desumanas nessa escolha pelo humanizado e, como tu mesma reforças, isso não pretende desencorajar ninguém de nada, mas dar um depoimento que permita ainda mais somar informação para formar decisões. Já ouvi muitas histórias de humilhação em sala de parto ou no pré-parto. Hospitais e mesmo casas de doula estão cheias delas. Juro que não decidi ainda meu parto, e por enquanto não pretendo: se a gestação (que se Deus quiser, conseguirei um dia ter) correr bem, esperarei para o momento e, se houver como, será normal – se não, será cesárea. E deu. Se durante a gestação houver alguma indicação real de que a cesárea será melhor, será. E deu. E não serei uma borra-botas, nem uma heroína, por nada disso. Parir um filho, por que método seja, é uma dádiva – a dádiva de dar à luz uma vida e de receber esta vida para cuidar, amar, viver junto. E parir um filho possibilita contar uma história, sim. Mas parir um filho e fazer disso uma narrativa em termos dignos de púlpito, com análises de decisões alheias a partir de um único ponto de vista próprio e num “foi sem julgar, julgando”, como se estivéssemos no Courage Mom Awards, é tão desumano quanto um parto violento e mais borra-botas do que qualquer relato simplesmente sincero, quando alguém pedir para ouvir.

      • Responder
        Elba Oliveira Autor
        2 de dezembro de 2014

        Há um erro grave de interpretação de texto. Não disse que quem opta por cesariana é borra-botas. Eu disse que muitas mulheres estão sendo borra-botas ao optarem por cesarianas por pura falta de informação. Disse também que os partos violentos justificam o medo, a borra-botice… criaram a borra-botice, mas que há alternativas e que parir pode e deve ser uma experiência fantastica. Agora só pra esclarecer: Cesariana não é parto. É uma cirurgia de extração fetal que, a meu ver, deveria ser realizada somente com indicação medica.

    • Responder
      Elba Oliveira Autor
      2 de dezembro de 2014

      Olá Paula!
      São perguntas que somente você pode responder, depois de pesquisar, refletir, olhar a historia sob vários ângulos.
      Da maneira que eu enxergo, sua médica fez muito para que você conseguisse ter seu filho por parto natural. Certamente, ela poderia ter conversado contigo pra te explicar que o descolamento é uma indução hormonal e que não pode ser feito sem o colo estar favorável (por isso o balão). E também talvez pudesse ter te dado apoio e informação para que você se encorajasse para aguentar um pouco mais se isto fosse de sua vontade. Depois que se faz o descolamento de membranas, a mulher pode entrar em trabalho de parto (normalmente isto demora de 24 a 48 horas para acontecer). O balão foi colocado para o colo estar favorável, mas só ele não a faria entrar em trabalho de parto. Eu não sou medica. Estou te passando informações que minha medica me passou e informações que já li em outros relatos de outras mulheres. Eu fiz descolamento também, mas meu colo estava favorável (tinha já um pouquinho de dilatação), então, não precisei do balão. Acho que todas essas informações você pode pesquisar e se informar para tentar entender sua história, acho que esse é o caminho para começar a compreender para além do que achamos que pode ter ocorrido.
      Você foi ate seu limite, não é mesmo? Você conhecia seu limite?
      Eu trabalho com planejamento e plano de parto e junto com as gestantes fazemos exercícios para olhar para tudo isto que pode acontecer em torno da expectativa de parir. Olhamos para as expectativas da mulher, para as opções que ela tem e para os riscos implícitos em cada escolha. A meu ver, talvez você não tivesse noção de que tudo isso poderia ser necessário e a coisa acabou se tornando mais difícil do que você esperava. Acontece com muita gente, inclusive aconteceu comigo já que eu não sinto que estivesse totalmente preparada para fazer o descolamento que também tive que fazer. Então, tudo isso pra te dizer que: parir no Brasil não esta fácil e porque não esta facil temos que nos informar muito e nos preparar para tudo. Não acho que as gestantes estejam com informações suficientes e nem que estejam se preparando ou sendo preparadas para tudo que pode acontecer. Não acho que deveriamos ter que nos informar e nos preparar tanto assim, deveríamos poder confiar nos profissionais. Mas a situação exige e é a única forma de conseguirmos nossos sonhados partos. Vejo nessa ausência de preparação real a fonte de muitas das frustrações assim como nas falhas de comunicação entre gestante e equipe.
      Talvez bater um papo com a medica que te atendeu, fazer essas perguntas pra ela também possa ajudar.
      Desejo que você consiga processar e digerir, não é fácil!
      <3
      Elba

    • Responder
      Pilar
      10 de setembro de 2015

      Não, vc não é borra botas não. Acontece que hoje em dia existe uma patrulha contra a cesareana, se vc fizer uma, é uma derrotada, apenas isso. Parto fisiológico, não é “bom, gostoso e recompensante” para qualquer mulher, para algumas é a experiencia mais traumática de suas vidas, vide a minha avó, que ficou 4 dias parindo seu filho que nasceu morto depois de um sofrimento atroz, demorou 8 anos para ter outro, pariu com o mesmo sofrimento, aos 30 anos teve que tirar o utero. Existem as exceçoes, que podem ate comprovar a regra, mas não deixam de ser exceçoes.

  • Responder
    Paula
    30 de novembro de 2014

    Só pra terminar, quero deixar claro que meu intuito não é desestimular ninguém a viver esse momento com o meu relato. Ainda acredito de verdade que o parto normal e humanizado é o melhor para o bebê e deve ser de fato uma experiência única e gratificante para a mãe.
    Minha intenção é além de desabafar, mostrar que as vezes as coisas não acontecem como imaginávamos. Eu esperava uma dor que começaria leve e iria aumentar gradativamente, como ondas, pelo menos foi assim que ouvi falar. Criei tantas expectativas e no fim nada foi como imaginei. Mas será que isso é o fim? Não, não é, mas preciso aceitar isso, aceitar que nem sempre é como queremos.
    E se vocês souberem de alguém que viveu algo parecido por favor me avisem, gostaria muito de conhecer ima história parecida com a minha! Obrigada !

    • Responder
      Elba Oliveira Autor
      2 de dezembro de 2014

      Ah Paula! Esqueci: sobre estar ou não com quase 42 semanas. As vezes não tem como saber a data exata e os médicos trabalham em cima da data informada pela gestante e dados de ultrassom. Eles trabalham também com o limite de 42 semanas a partir dos dados que eles tem. Você não ter entrado em trabalho de parto não quer dizer que não estivesse com 42. Tem mulheres que não entram ate 42. Minha medica deixou bem claro que não esperaria além disso já que ela poderia se colocar profissionalmente em risco se algo acontecesse com o bebê.E é o limite de segurança que os médicos no momento estabeleceram. Isto pode mudar com pesquisas? Pode, mas no momento é isto.

  • Responder
    Renata
    30 de novembro de 2014

    Achei o texto interessante, mas eu realmente não entendo porque algumas mulheres querem impor que a sua decisão é melhor do que a decisão das outras. Não estou falando das mulheres que optara por cesarea e neste momento estou falando das que optaram por PA. Eu vim de uma familia em que as mulheres fizeram PA e nao gostaram e se perguntar a minha mãe e avó, elas dizem “fuja, minha filha”. Nao é porque a experiencia da sua familia foi boa que as demais foram. Nao vejo para quê perder amizades só para impor/tentar convencer a sua opinião. Pelo direito de escolha, seja de um PA humanizado ou de uma cesarea.

    • Responder
      Elba Oliveira Autor
      2 de dezembro de 2014

      Renata, acho que você não entendeu direito o que esta escrito no texto. Minha avó teve 6 partos violentos, ela me aconselhou a não ter meu filho por parto, ela me disse pra ter uma cesariana. Foram partos com intervenções e maus tratos. Não quero impor minha decisão a ninguém, fiz um texto que explica que o medo da dor do parto vem das historias de parto violento e não do parto em si que pode ser uma experiência maravilhosa. Claro, cada mulher deve decidir o que é melhor para si mesma e para o seu bebe, preferencialmente com base em informação e evidencias cientificas, o que não tem acontecido. A imensa maioria das mulheres vem decidindo pela cesariana por falta de informação e/ou manipulada pelos médicos que preferem fazem cirurgias que acompanhar partos. Não estou aqui escrevendo para mulheres bem informadas que optam por cesariana e sim para mulheres que tem optado por elas sem ter acesso a informações corretas. Quanto a perder ou ganhar amizades, acho que compensa debater com as amigas sim quando o que se quer é que elas tenham experiências incríveis! Obrigada pela visita!

  • Responder
    30 de novembro de 2014

    Otimo texto, parir vicia msm, tenho Ana Terra de 1 e 9 meses e Lorenzo de 2 meses, ambos domiciliares. E acredite, ja penso no 3, e viciante PARIR!!!!

  • Responder
    30 de novembro de 2014

    Inspirador, encorajador …
    fiz minha avó contar 5x o parto de cada uma das 4 filhas, todos com parteira em domicilio.
    É como estar fazendo um curso, para estar formada quando chegar o meu dia!! Por isso, estudo, pesquiso, leio relatos, me mantenho atualizada, faço a minha parte e um pouco mais =D

  • Responder
    30 de novembro de 2014

    Aqui também rolaram lágrimas…

  • Responder
    30 de novembro de 2014

    <3

  • Responder
    Sandra Maria
    30 de novembro de 2014

    Lindo, lindo, lindo!!!

  • Responder
    Natália Oliveira
    1 de dezembro de 2014

    Tenho 17 anos, e desde que "descobri" esse assunto (uns 4 anos atras), decidi que meus filhos nasceriam por parto normal (porque tenho pavor a cicatrizes), mas sempre achei que isso seria difícil, pelos horrores que sempre ouvi sobre parir. Eu ainda não tenho filhos (e vou demorar um bom tempo pra ter), porém já me informo muito sobre partos, pra estar muito bem preparada quando chegar a hora e pra desmentir os mitos que existem sobre isso.

  • Responder
    Mônica Letícia
    1 de dezembro de 2014

    Chorei. Muita emoção mesmo.

  • Responder
    Gabriela
    1 de dezembro de 2014

    Concordo com 90% do texto, principalmente com todos os benefícios do parto normal. Mas existem questões psicológicas e emocionais envolvidas em um parto que vão alem do que dizer que quem escolhe por uma cesária é borra botas. Precisamos ter cuidado com o radicalismo e não cair para o outro lado de impor um parto normal a todas as mulheres. E valorizar um em detrimento do outro. A luta é pela informação e não manipulação dos médicos. Mas o direito de escolha da mulher precisa ser preservado. O parto humanizado é aquele que a mulher escolhe, que se sente confortável e segura. E acredito que a felicidade e emoção do nascimento de um filho é um momento único, seja como como for.

    • Responder
      Elba Oliveira Autor
      2 de dezembro de 2014

      Há um erro grave de interpretação de texto. Não disse que quem opta por cesariana é borra-botas. Eu disse que muitas mulheres estão sendo borra-botas ao optarem por cesarianas por pura falta de informação. Disse também que os partos violentos vividos pelas nossas familiares e também por muitas de nós justificam o medo, a borra-botice… criaram a borra-botice, mas que há alternativas. Agora só pra esclarecer a questão da decisão realmente informada e esclarecida: Cesariana não é parto. É uma cirurgia de extração fetal que, a meu ver, deveria ser realizada somente com indicação medica. E sim , é obvio que nem todas as mulheres estão preparadas para um parto, daí a necessidade de informar para que a escolha por cesariana ou parto seja de fato consciente, esclarecida e assumida.

  • Responder
    Veronica
    1 de dezembro de 2014

    Texto lindo, lindo, lindo! Sempre fui incrivelmente apaixonada pelo fato de parir e sempre desejei que quando chegasse a minha hora fosse parto normal. Estou gravida, mãe solteira e com 22 semanas descobri que a minha bebe assim como sua amiga Juliana tbm tem uma síndrome na qual tem pouquíssimas chances de vida (Síndrome de Patau) decidi seguir com a gestação e seguir com a vontade de Deus. Por causa da síndrome achei que talvez não pudesse ter parto normal, mas para minha surpresa fui super apoiada na minha decisão pelo meu médico. Hoje estou com 34 semanas e aguardando anciosa para parir. Ler matérias como essa, encoraja mais e mais.

  • Responder
    1 de dezembro de 2014

    Tbm chorei…

  • Responder
    Jéssica Reis
    1 de dezembro de 2014

    TeX tô repugnante.

  • Responder
    Jéssica Reis
    1 de dezembro de 2014

    Texto *

  • Responder
    1 de dezembro de 2014

    Olhos marejados… esse texto vai ser meu mantra! Afagos

  • Responder
    1 de dezembro de 2014

    demais, demais! é tudo isso! toda força, amor, aceitação para Juliana, que sem nem mesmo conhece-la, me arrepiou e apertou a guela ao ler sua história. Belo texto, Elba!

  • Responder
    Tarsila
    2 de dezembro de 2014

    Belo texto, parabéns! Sua amiga Juliana já escreveu o relato dela? Gostaria mt de poder ler!

  • Responder
    2 de dezembro de 2014

    Que história maravilhosa!

  • Responder
    Natalia
    2 de dezembro de 2014

    Lindo texto. Parir vicia, a dor a gente esquece… Incrível como não consigo me lembrar da dor. Claro que eu sei que doeu mas não marcou! Marcou uma sensação de poder, de uma força incrível que jamais pensei em ter. Engraçado que muitas pessoas levam esses relatos para o lado do extremismo, assim como você eu também acredito que falta muita informação para as mulheres, na verdade informação correta sobre o parto normal, infelizmente essas informações na maioria das vezes não conseguimos com o medico mas sim em outras fontes. Não acho que quem faz cesariana é menos mãe, sou contra a cesariana desnecessária, a enganação que muitas somos submetidas, as falsas informações passadas para que tenhamos medo de parir naturalmente.

  • Responder
    Renata
    3 de dezembro de 2014

    Adorei o texto! Pari dois. Um parto de 32h e um de 5h. Moro na Suíça e tive as crianças em hospital público. Se tem uma frase do teu texto que descreveu tudo foi: Parir é fo-das-ti-co!!! Decidimos ter dois filho.. mas juro, quando me pego pensando nos meus partos (o que não são poucas as vezes, até porque é recente e eu ainda me acho fodaaastica por ter parido), me da vontade de ter mais um… Eu não sei que lenda é essa da dor de parto ser igual dor de quebrar todos os ossos do corpo. até porque alguém ja passou pelas duas dores para comparar?? Eu sentia dor e dava gargalhadas. Quando o Leon nasceu eu qria mais! muito mais! coisas que só as parideiras entendem…

  • Responder
    3 de dezembro de 2014

    Fiquei muito emocionada, não tive nenhuma experiência mais queria muito sentir cada detaalhe , cada tipo de dor por que muiiiiiiito ser mãe e provar cada momento dessa experiência…. bjs Elba amei Teu TEXTO

  • Responder
    4 de dezembro de 2014

    Lindíssimo.

  • Responder
    6 de dezembro de 2014

    Sensacional!!
    Parabéns pela sua garra. São depoimentos assim que me dão mais coragem para parir meus futuros filhos.
    Quero ser mãe em tudo que ser mãe se define, inclusive poder trazer eu mesma meu bebê para esse mundo. Sem intervenções, nadinha. Só eu, meu Deus me dando forças, meu marido do meu lado e claro, meu filhote. <3
    Acho que nós temos sempre que buscar nos informar, pois com o passar dos tempos, vem os novos costumes que nem sempre são bons. Essa industrialização do parto através do parto cesariana é um caso ruim. Acho que a primeira opção deve ser sempre o parto natural, e SE houver algo que o impossibilite, aí sim fazer.
    Pretendo ter meu primeiro filho em 2016, e se Deus me permitir, vou conseguir parir com a graça D´Ele!

  • Responder
    8 de dezembro de 2014

    Lindo! Estou decidida e chorando muito… rsrs

  • Responder
    9 de dezembro de 2014

    olha muito legal o texto mas assim pari a 10 dias e digo a dor nao eh suportavel assim n.. achei q ia morrer. sempre apoiei o parto mas pra mim foi muito dificil.. e realmente invejo a tua experiencia de ter sentido prazer pq pra mim foi bem ao contrario.
    .sinceramente eh ate dificil de acreditar no teu relato baseado no que eu senti.. mas que bom que toda a experiencia n eh igual.

  • Responder
    13 de dezembro de 2014

    Elba, seu texto é simplesmente SENSACIONAL. Você disse tudo que eu tenho vontade de dizer para todas as minha amigas que também tem medo de parto normal. Muito inspirador. Você é show! Deus te abençoe!

  • Responder
    30 de junho de 2015

    Elba, que texto maravilhoso, que história linda. És uma pessoa iluminada, é praticamente impossível não se emocionar. Deus te abençoe !!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ;)

  • Responder
    10 de setembro de 2015

    U-a-U!!!!!!! Uauuuu!!!!!!!!!! Perfeitooooo! O melhor que eu li até hoje! É exatamente isso! parabéns!!!!! Vou indicar pra todo mundo! *rs
    Obrigada por contribuir tanto com esse texto para muito além das suas amigas, à todas as mulheres do mundo, em especial do nosso país, que tanto tem sigo enganadas! Nós podemos, nós queremos!

  • Responder
    21 de dezembro de 2015

    Emocionante ….. sou a favor de um parto normal , embora hoje em dia em portugal nao seja comum o uso de cesariana por opcao da mae , pois os profissionais de saude procuram sempre em primeiro lugar o parto natural , que e o que e o mais indicado tanto para a saude da mae como do bebe . Mas para se ter um parto normal nao e necessario ficar a sofrer todas as dores ao natural , ha muita escolha de medicamentos que ajudam a mae a ficar confortavel e com poucas dores durante o periodo da dilatacao , sendo a mais utilizada a famosa epidural , o parto decorre normalmente e no tempo certo , respeitando sempre a vontade da mae , mas nao cedendo a pedidos para cesarianas . Sei do que falo , estou me formando em enfermagem obstetricia. Essa e a realidade em Portugal, e que deveria ser adoptada em todos os paizes .

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